Read Os Fidalgos da Casa Mourisca by Júlio Dinis Online

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Os Fidalgos da Casa Mourisca é uma obra de Júlio Dinis passada numa aldeia do Alto Minho e que retrata o confronto entre a burguesia em ascensão e a meteórica queda de uma nobreza decrépita e falida.Da obra que lemos até agora deste autor, este é o livro que se assemelha mais ao romance tradicional onde o foco principal não recai tanto na ilustração de uma determinada realOs Fidalgos da Casa Mourisca é uma obra de Júlio Dinis passada numa aldeia do Alto Minho e que retrata o confronto entre a burguesia em ascensão e a meteórica queda de uma nobreza decrépita e falida.Da obra que lemos até agora deste autor, este é o livro que se assemelha mais ao romance tradicional onde o foco principal não recai tanto na ilustração de uma determinada realidade social mas antes nos amores entre dois jovens de realidades sociais diversas.Apesar do carácter romântico assumir o papel de destaque Júlio Dinis nesta obra põe a nu a fragilidade de uma nobreza fidalga em declínio que se limita a viver de um nome que cada vez vale menos numa ilusão utópica da manutenção de um status quo que já não tem. Existe também uma ligeira abordagem dos problemas relativos às alterações profundas na sociedade portuguesa decorrentes do fim de alguns privilégios de classe que o liberalismo político ofereceu ao século XIX português.No entanto, e como dissemos supra, o objecto principal desta obra são as relações pessoais que se estabelecem entre duas famílias de classes sociais distintas e que condicionam toda a narrativa.Filipe de Arede Nunes, 21 de Novembro de 2008http://bibliotecatransmissivel.blogsp...Este romance, que é uma crónica de aldeia, passa-se no séc.XIX, no Alto Minho, e nele o autor põe em evidência as mudanças por que passa a sociedade portuguesa da época com o progresso da burguesia e a consequente decadência da nobreza. Os senhores Negrões de Vilar de Corvo, o pai D. Luís, e os filhos, Jorge e Maurício, são conhecidos como os Fidalgos da Casa Mourisca, pois assim é conhecido o velho solar onde vivem, a Casa Mourisca.Fonte: http://pt.shvoong.com/books/671896-os...Em tempos idos, havia uma tradição nas aldeias de chamar Casa Mourisca aos grandes solares senhoriais. Na aldeia retratada nesta obra a tradição mantém-se e o solar da família Negrões de Vilar de Corvos fica conhecida por esse nome pelos seus habitantes.[...] Esta é uma obra centrada numa problemática muito própria do século XIX, em que a classe aristocrática vai perdendo os seus privilégios para uma burguesia emergente e onde Júlio Dinis faz um excelente retrato de uma ruralidade assente em morgadios do interior que está a desaparecer com a chegada de novas ideias e novos ideais políticos a Portugal.Isabel Maia, 12 de Abril de 2010http://nacompanhiadoslivros.blogspot.......

Title : Os Fidalgos da Casa Mourisca
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ISBN : 9789724206202
Format Type : Hardcover
Number of Pages : 489 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

Os Fidalgos da Casa Mourisca Reviews

  • Mariana
    2019-04-13 21:10

    Um romance bucólico do virar do século, alimentado pelos tons quentes da terra e em cujas páginas se sente ainda o toque fresco e quebradiço da urze sob o orvalho, o aroma adocicado do campo em manhãs de primavera. Júlio Dinis acolhe sem pretensão os ensinamentos da escola romântica que antecede a sua geração, assim como toda a boa influência dos clássicos da literatura inglesa, sem no entanto se demarcar daquela em que temática e estilisticamente se inscreve. Não é, e desenganem-se os cépticos, um livro de ritmo lento, como, de resto, talvez se adivinhasse. A sua preocupação não está no aprimoramento da linguagem, aspecto que considerei positivo tendo em viva conta outros grandes nomes do panorama literário da época, mas sim na pintura e, nesse aspecto, o autor atinge os seus objectivos de maneira despretensiosa, não sem brio e até com certo mimo. Na realidade, não é inteiramente fiel o retrato que nos é oferecido da sociedade rural portuguesa, em particular da região norte, naqueles tempos de moribunda fidalguia; no entanto, e já o querido Oscar dizia, uma obra não é tanto um espelho da sociedade que a desponta e nutre como o é do seu consciencioso público. E o conceito de que o povo português, principalmente nas zonas rurais, é mais estúpido, escrupuloso e complacente do que em qualquer outro beco encardido noutra capital europeia qualquer é válido até hoje, conceito que nós, que o somos, mais alimentamos. Em Os Fidalgos da Casa Mourisca, o quadro socioeconómico do país, pelo menos na medida em que este se torna útil para o desenrolar da acção, é introduzido com a maior modéstia e minuciosa atenção aos aspectos mais gerais da coisa. Na boca de Jorge, jovem fidalgo de salutar complexão, Júlio Dinis assume as inclinações liberais que o aconchegam, o que não obsta a que, durante todo o romance, o chamado “conflito de classes” seja de tal forma relativizado, sentimentalizado e de todas as maneiras popularizado que nunca chega a ser um conflito real, só no plano das relações pessoais entre os jovens enamorados e respectivas famílias. A ideia de que o “trabalho consola, o trabalho enobrece”, cristalizando uma falsa percepção de igualdade entre a classe dominante e seus vassalos, é hoje um entrave ao que quer de revolucionário que, por fim, se encontre na obra. O bom do Tomé que me perdoe, mas o tempo das vacas gordas já lá vai.

  • Isabel Maia
    2019-04-25 17:08

    Em tempos idos, havia uma tradição nas aldeias de chamar Casa Mourisca aos grandes solares senhoriais. Na aldeia retratada nesta obra a tradição mantém-se e o solar da família Negrões de Vilar de Corvos fica conhecida por esse nome pelos seus habitantes. Os fidalgos da Casa Mourisca estão arruinados. Uma má gestão e o orgulho de D. Luís levaram a propriedade a esta situação. Porém Jorge, o filho mais velho, descontente com o rumo que a sua casa levava, pediu ajuda a um agricultor que prosperou, Tomé da Póvoa, antigo trabalhador na casa Mourisca. Tomé da Póvoa tem uma filha, Berta, que foi educada fora da aldeia e que regressa a casa. Jorge apaixona-se por ela, mas o orgulhoso e inflexível D. Luís não concorda nem com a recuperação económica proposta pelo filho, nem com a paixão que ele nutre por uma plebeia.Foi com uma agradável surpresa que fiquei a conhecer a obra deste escritor portuense. Por partilhar a mesma escola realista com o poveiro Eça de Queirós, a escrita é também ela muito povoada de elementos colados à realidade, como as descrições dos lavores dos jornaleiros no campo. Mas o que distingue Júlio Dinis de Eça é a escrita muito simples, muito neutra e natural, sem as muitas figuradas de estilo que o escritor da Póvoa do Varzim utilizava. Esta é uma obra centrada numa problemática muito própria do século XIX, em que a classe aristocrática vai perdendo os seus privilégios para uma burguesia emergente e onde Júlio Dinis faz um excelente retrato de uma ruralidade assente em morgadios do interior que está a desaparecer com a chegada de novas ideias e novos ideais políticos a Portugal. Para quem aprecia a escola literária do realismo, este é um livro que recomendo vivamente.

  • Guilherme Martins
    2019-04-06 22:11

    Na destruição do velho sistema feudalista, e do nascer do novo paradigma da burguesia surgiu assim a obra " Fidalgos da Casa Mourisca" submetida aos ideais iluministas. Acreditando na inocência da coexistência pacifica entre dominantes e dominados, exploradores e explorados é descritível assim nestas páginas de Júlio Dinis a imaginária ordem vigente. Divagando em falsos moralismos e frases de ordem " Trabalha porque serás coberto de ouro" leva o leitor para uma paixão eterna sobre o trabalho.

  • Ana
    2019-04-25 17:06

    It's my favorite book for a thousand and one reasons.

  • Vasco Ribeiro
    2019-04-09 17:51

    Com m estilo puramente romântico, conta uma história cheia de paixão protagonizada por pessoas dos mais elevados sentimentos. Um pouco maçador ao fim e ao cabo.os fidalgos da casa mourisca, uma família nobre decadente são 3: Luís o velho pai, absolutista que tinha sido embaixador mas que com a revolução liberal se retirara para o seu solar na província. Primeiro manteve alguma ostentação, e até uma corte onde pululavam os oportunistas, que, acabando o dinheiro, o abandonaram, só ficando o padre januário, que era o procurador dos interesses da quinta, mas muito incompetente. a mulher morrera (desgostosa porque o irmão querido dela tinha morrido nas lutas e o marido nunca o acolhera) e também uma filha muito querida, Beatriz, com a idade talvez de 16 anos e que deixou muita saudade e muita amargura ao velho. Os filhos sobreviventes eram Jorge, de 20 anos, muito assisado e sempre fora assim desde criança, e Maurício mais frívolo, um pinga amor e que sempre fora assim. Jorge decide fazer pela vida e repor a honra e riqueza da casa, através do trabalho agrícola e para isso pede conselhos a Tomé da póvoa, um antigo criado da casa que à força de trabalho, persistência sacrifício mas honradez e inteligência tinha prosperado e fizera da sua herdade que comprara um exemplo de fortuna. Tinha mandado estudar na cidade uma filha, Berta, muito bonita e prendada e que nessa altura regressava à aldeia. pois claro, quer Maurício quer Jorge se apaixonam por berta. Maurício de forma clara, Jorge escondendo a paixão. Peripécias sobre peripécias incluindo cenas de ciúme e conspiração e intiguice pelos depravados primos do cruzeiro que só pensavam em comer e beber. aparece uma prima desempoeirada a baronesa Gabriela, viúva de um rico barão com quem casara e herdara a fortuna e tudo vai mudando. Luís sai da casa mourisca e vai para os bacelos para casa da prima. mas esta quer ir para lisboa e quer que o Maurício goste dela e pretende fazer dele pessoa com carreira. E tudo consegue, pois acba por casar com maurício. para substituir à cabeceira do tio luís, porque este entretanto adoecera, foi Berta, e ao fim e ao cabo é luís que em tirada ultra romântica, embora no fundo contrariado, mas porque berta é um anjo que o trata bem e lhe faz lembrar a filha beatriz, lá dá a sua bênção ao casamento, debelando o seu orgulho dizendo a tomé da póvoa que queria o casamento. E lá casam eles e são felizes para sempre.A meio também aparece um clemente, regedor da terra, rapaz honrado que tinha sido companheiro de infância dos outros (e irmão de leite, pois fora sua mãe Ana que os amamentara a todos) e que a certa altura tinha pretendido casar com Berta, o que podia ser, por também ser lavrador, não haver diferença de classe, e até tinha sido Jorge, apesar do coração apertado a pedir a moça em casamento, até que o possível enlace se desfez quando clemente se apercebeu, grande rapaz, que berta não o podia amar e ele não lhe quis exigir o sacrifício.

  • Tempo de Ler
    2019-04-03 16:49

    Júlio Dinis... Como eu adoro a sua escrita reflectida e elegante. A forma como a sua belíssima prosa se encaixa, espelhando as suas próprias convicções, discutindo ideais e ideias, numa dura crítica moralista. As frases são astutas e inteligentes; os adjectivos estrategicamente aplicados.O enredo é bastante simples, encravado, como é costume com Júlio Dinis, pela opinião alheia.Girando em torno de uma família nobre, esta história traz-nos D. Luiz, que guarda um rancor faccioso contra os liberais, e os seus dois filhos, Jorge e Maurício, tão diferentes um do outro quanto possível: um talhado para uma existência simples vivida no campo, outro talhado para a agitada vida citadina. Maurício, homem de vários amores intensos; Jorge, homem de um único amor verdadeiro.Recusando-se a acompanhar as mudanças do país, D. Luiz refugia-se no campo, isolando-se de uma sociedade liberal na qual já não se encaixa. O degredo das propriedades de família leva Jorge, sempre preocupado pela ociosidade que o rodeia, a tomar para si a missão de as salvar...E então, surge Bertha: a rapariga por quem Jorge se recusa a desenvolver afecto e em quem Maurício só pensa em conquistar.Facilmente passamos a gostar de todas as personagens envolvidas na trama; facto auxiliado pelo acesso que nos é fornecido a todos os pontos de vista e pensamentos pessoais. Assim, assistimos placidamente a conflitos fervorosos entre mentalidades teimosas, com conceitos tão profundamente enraizados que a sua lógica já não é questionada. A calorosas divergências entre pontos de vista de diferentes gerações. Formidável!

  • Tita
    2019-03-28 16:51

    Apesar de conhecer desde sempre os livros de Júlio Dinis cá em casa, a verdade é que nunca tinha lido nenhum até que finalmente resolvi lê-lo para um dos meus desafios anuais literários.Era hábito designar os solares senhoriais por Casa Mourisca e neste caso, os fidalgos estão numa má situação económica, resultante de um má gestão mas também do orgulho de D.Luís. Até que Jorge, o filho mais velho, decidi pedir ajuda a um antigo trabalhador de sua casa e que alcançou uma posição mais estável, para o ajudar a recuperar a propriedade da Casa Mourisca. Enquanto que o seu irmão mais novo, Maurício, é um pouco mais leviano mas boa pessoa. Temos também Berta, filha de Tomé da Póvoa e que foi educada em Lisboa, mas que regressa a casa.Foi uma leitura muito agradável e fluída, com uma escrita que me relembrou a do Eça, mas mais acessível. A história foca-se nas dificuldades que a burguesia vai enfrentando, perdendo a sua influência, e o surgimento de novos ideais políticos. Assim, o autor vai fazendo uma crítica à sociedade e aos valores, com uma escrita cativante.O romance está também presente na história, e desde logo se desconfia do final amoroso do par romântico, mas não achei aborrecido, como também existiram alguns episódios que me fizeram rir, por causa de se "tentar esconder algo".Foi uma excelente leitura e que me fez querer ler os restantes livros de Júlio Dinis.

  • Virgilio Machado
    2019-04-11 15:49

    Júlio Dinis neste livro apresenta-nos personagens bem desenhadas e oferece-nos a possibilidade de entrarmos bem fundo dentro dos seus mais íntimos pensamentos. A imagem das paisagens bucólicas do campo é-nos descrita com prazer e cor, sendo certo que rapidamente nos apaixonamos por toda aquela realidade – que em algumas circunstâncias e com autores menos talentosos cheiraria a mofo – o que faz com que não consigamos deixar de ler num ápice a obra.[...]Este é, obviamente, um livro que aconselhamos. Júlio Dinis é, certamente, um dos maiores autores da língua portuguesa e cada vez mais consideramos imprescindível na formação de qualquer leitor.Filipe de Arede Nunes, 21 de Novembro de 2008http://bibliotecatransmissivel.blogsp...Da escola realista, a escrita desta obra é muito povoada de elementos colados à realidade, como as descrições dos lavores dos jornaleiros no campo, mas a escrita muito simples, muito neutra e natural. Para quem aprecia a escola literária do realismo, este é um livro que recomendo vivamente.Adaptado de Isabel Maia, 12 de Abril de 2010http://nacompanhiadoslivros.blogspot....

  • Mady
    2019-04-10 22:57

    Another Portuguese classic from the 19th century (I’m on a quest to read all written by Júlio Dinis), with his typical plot: siblings, family life, countryside, a romance opposed by society/family which is only reached once paramount obstacles are overcome. Also spiced up with Portuguese historical context of liberals vs absolutists in the first part of 19th century and the decadence of the noble families from rural areas.In this one the love story is frailer since the couple in love is probably the less engaged in making it turn into reality… But some of the secondary characters make it worth reading: Gabriela, the young rich widower with straightforward vision, Ana do Vedor, a tough countryside woman who raised the children of the noble family, is impulsive and acts on what she believes is right/correct or frei Januário, a clergyman only interested in his belly who can complain a lot but take no action on anything…

  • Marinho Lopes
    2019-04-12 19:11

    Tendo lido há dois anos atrás “As Pupilas do Senhor Reitor”, foi sem surpresa e com as devidas expectativas que li este romance utópico de Júlio Dinis. O cenário desta novela representa o Portugal rural do século XIX, onde a fidalguia definha devido às novas leis liberais, enquanto a nova burguesia floresce. Como é fácil de adivinhar, o amor fatídico faz colidir estes dois mundos, e tratando-se de uma obra de Júlio Dinis é fácil de prever a harmonia do desfecho. Tal como a obra supracitada, também esta é muito agradável de se ler, dada a simplicidade de estilo e a ingenuidade nobre das personagens. Júlio Dinis decide mais uma vez dar a felicidade às suas personagens, num mundo conduzido pelo seu ideal de bondade e solidariedade.

  • Poli
    2019-04-04 21:00

    Pode parecer estranho mas nunca tinha lido Júlio Dinis, a perda era minha! Um retrato da sociedade provinciana portuguesa do seculo XIX que nos mostra as mudanças ocorridas nos diversos estratos sociais que nem sempre as mentalidades acompanham. Persongens completamente reais que poderiam viver ao virar da esquina e uma história bastante agradavel de seguir.

  • Vasco Ribeiro
    2019-04-05 17:02

    Muito linear e pouco apelativo

  • Ana
    2019-04-11 19:08

    Muito datado, mas bastante bom. Uma espécie de "Os Maias", mas mais campestre.