Read O Cavalheiro Inglês by Carla M. Soares Online

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PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de mausPORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa....

Title : O Cavalheiro Inglês
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Rating :
ISBN : 9789897541254
Format Type : Paperback
Number of Pages : 400 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Cavalheiro Inglês Reviews

  • Carla Soares
    2018-11-12 17:23

    A escrita deste livro foi um prazer muito grande. O prazer da pesquisa, não só da vida política e social da época, da Lisboa e do Porto de 1892, mas sobretudo dos detalhes mais curiosos, que por vezes resultaram numa linha apenas, mas são essenciais para mergulhar a narrativa na sua época e transportar para ela o leitor. Espero que cada um, ao ler, se sinta no final do século XIX. O prazer da construção de personagens únicas para mim, Sofia, a jovem decidida que tanto cresce ao longo da intriga, o detestável duque-pavão, Sebastião, que é tão amado e tão impulsivo e tantos problemas há de trazer a sua irmã, e Robert, o cavalheiro inglês com os seus tremendos erros de português e a sua forma muito própria, entre o branco e o negro, de estar na vida. Algumas personagens secundárias (reais ou imaginárias) que dão cor à narrativa. O prazer, sobretudo, de conduzir estas personagens pela narrativa que se vai complicando, por acontecimentos pessoais, acontecimentos políticos e um crime, de as arrastar pelo certo e pelo errado, de lhes dar um destino. De as fazer agir, por vezes de forma séria, outras precipitada, outras divertida. De as fazer interagir e dialogar - e alguns diálogos e interações fizeram-me rir! De as fazer amar, também, com as dúvidas e o calor próprios do amor. O que posso desejar de um livro que me deu tanto gosto a escrever? Que dê o mesmo gosto a ler, que seja para o leitor um prazer, e que dele tire não só uma impressão da época, mas aquele calorzinho que nos deixa no fim um livro que gostamos de ler.Não me atrevo a classificar o livro, deixo isso para os leitores, mas desejo a todos boa leitura!

  • Cata
    2018-10-31 15:08

    Opinião em vídeo: https://youtu.be/mApwmF84hgc

  • Sofia Teixeira
    2018-11-21 17:20

    Opinião: Acompanho a carreira da nossa escritora Carla M. Soares desde o seu início, na Porto Editora, com o Alma Rebelde. Foi um início tímido, no primeiro semestre de 2012, mas que conquistou uma boa base de leitores fiéis. A qualidade da sua escrita demonstrou-se inegável, reflectindo ainda uma maior expressividade em A Chama ao Vento, o seu segundo menino editado digitalmente pela Coolbooks. Foi um livro mais complexo, de uma trama intrincada cujos meandros exigiam atenção. Tive muita pena que não tivesse uma edição física, embora leia digital, ainda sou completamente fã de ter o livro nas mãos e folheá-lo, e eis que surge O Cavalheiro Inglês, novamente com uma edição física belíssima, desta vez pela Marcador Editora, na colecção Livros RTP. É quase ingrato escrever sobre este livro, pois fui eu quem fez a sua apresentação na Bertrand Picoas Plaza e, para quem esteve lá, certamente nada do que direi será novidade. Uma das primeira coisas que me veio à cabeça quando terminei esta leitura foi que este era, até agora, o melhor livro da Carla. Embora tenha adorado o A Chama ao Vento, achei que neste O Cavalheiro Inglês a nossa escritora encontrou o ritmo certo, a dose equilibrada de cada um dos seus ingredientes já característicos - os factos históricos, o romance, o drama e a acção. O início começa logo por levantar algum mistério, por deixar a curiosidade do leitor em alerta para o rumo da história. Quem será este cavalheiro inglês? De que forma é que a sua vida se irá cruzar com a de Sofia?E eis que tocamos noutro ponto sensível - Sofia. A personagem feminina que faltava na bibliografia da autora. Tem sido um crescendo nas suas obras, a força e determinação dada às mulheres das suas histórias, e Sofia acaba por ter uma evolução notável ao longo da obra, mesmo com as suas fragilidades de menina proveniente de família rica. Ainda assim mostra-se destemida, disposta a desafiar os preconceitos da sociedade para lutar pelo bem da sua família e por aquilo que acha certo. Passa por uma série de provações e, mesmo estando com uma imagem desfeita perante os seus pares, não se coíbe de fazer o que acha que deve fazer. Também Sebastião, irmão de Sofia, acaba por ser um protagonista desta trama. Um romântico incurável, mas ao mesmo tempo um rebelde por natureza. Se no começo as suas acções são contidas, com o tempo envolve-se em actividades revolucionárias com anarquistas, deixando Sofia num alvoroço, influenciando também o rumo da sua vida. É impossível não referir o maldito duque e todo o mal que foi provocando. Sofia foi-lhe prometida, mas o que inicialmente pareciam rosas, rapidamente se tornaram espinhos. E é quando esta tormenta atinge o seu pico máximo que também a leitura acelera, estamos perante um virar de acontecimentos que torna impossível não querer ler mais uma página, percorrer mais algumas ruas de Lisboa ou até apanhar o comboio para o Porto. Desnecessário será dizer que toda esta envolvente viciante à volta d'O Cavalheiro Inglês se deve à escrita de imagética extremamente forte de Carla M. Soares. Conseguimos visualizar cada objectivo, cada pormenor. Somos transportados para aquele tempo, tão bem descrito e desenvolvido. Nota-se um grande trabalho de pesquisa, um cuidado nos pormenores, que acaba por distinguir esta obra de outras do mesmo género. Sem dúvida, o meu livro preferido da Carla até agora. 

  • Carina Rosa
    2018-11-14 16:56

    «O cavalheiro inglês» é o terceiro livro que leio da Carla. Sou fã da escrita da autora, embora ela tenha o dom de mudar de pele a cada história escrita e isso me leve a gostar mais de certos estilos do que de outros. Os romances históricos, tanto o «Alma Rebelde» como este último, não me atraíram tanto, especialmente este cavalheiro, que, na minha opinião, prometeu muito de início e depois deu pouco. Acho que esperava alguma coisa que não chegou a acontecer. Achei o livro morno, creio que lhe faltou um pouco de ousadia. Penso que o meu principal problema foi não ter entendido muito bem a história. Cheguei ao final a pensar que tudo se resumia a um casamento que salvaria Sofia e a sua família da pobreza. Ao início, achei a Sofia forte, mas depois começou a irritar-me um pouco. Considerei-a mimada, uma rapariga que vive a apregoar que entende os problemas dos pobres, mas não hesita em aceitar todo o dinheiro que Robert esbanja com ela, ou os caprichos da mãe. Também o Robert, de início, prometia luta, mas depois achei-o um cordeirinho que lhe fazia as vontades todas. O Sebastião foi o meu personagem favorito e a sua relação com a irmã cativou-me muito. Tive pena de o ver desaparecer durante grande parte da história, porque acho que ele tinha muito para dar!Opiniões são opiniões, mas eu prefiro ver a Carla num registo contemporâneo, até agora, como foi o caso do «A Chama ao vento», embora esta história também tenha a sua base histórica. Achei a Carla brilhante neste registo! Seja como for, continuo a adorar a escrita da autora e aguardo novos romances com ansiedade :)

  • Célia Loureiro
    2018-11-15 15:02

    4,5Escrevo a respeito deste livro sem primeiro consultar a autora do mesmo, que comecei a considerar, nestes anos de andanças literárias, como uma amiga. Estou a dever-lhe a leitura de A Chama ao Vento, mas infelizmente ainda não me converti aos formatos digitais. Terei de fazê-lo em breve, posto que devo a leitura de A Sombra de um Passado à Carina Rosa, e de Calor à Dra Maria José Núncio. Todos eles e-books, pelo que serei decerto obrigada a comprar um Kobo ou coisa que o valha…Ora bem, saboreando o prazer de ter um livro físico na mão, poder cheirá-lo e folheá-lo, fiquei encantada com a capa. Prometia tudo o que encontrei no seu interior. Desafio, História, intriga, romance. E assim foi.Falando das personagens, gostei da Sofia. Achei-a humana e compreendi-a. Não é fácil para um autor fazer uma personagem principal evoluir sem se contradizer, e a Carla conseguiu-o. A Sofia do início do livro, de espírito crítico mas conivente com os desmandos da nobreza em decadência, não é a Sofia ávida por se superar do fim, não é a Sofia que quebra com as regras e por fim compreende que se deve o direito de ser feliz.O Tião não é o típico idealista desmiolado, na realidade parece-me mais um menino mimado que até sofre boas influências, tem noção do certo e do errado, mas não consegue levar os seus planos a bom porto. Então, entre o influenciável e o impulsivo, acaba por ir pondo os pés pelas mãos e precisar da irmã.Depois há o Robert, o inglês calculista, homem de negócios quase sem escrúpulos, que se encanta pela Sofia. Porque sim, porque não é preciso motivos para uma pessoa se encantar por outra. Talvez seja da luz, talvez das almas que se reconhecem de há muito e se ligam na atmosfera que circunda os corpos, sem que as mentes o antevejam. Disposto a fazer tudo pela “posse” da Silva Andrade, aproveita uma janela do destino para reclamá-la.A grande jóia do livro é a época. Os cenários, os costumes, os entretenimentos. As personalidades da época, os bilhetinhos, o fervor republicano e anárquico, as Avenidas, os cabriolets, as viagens de doze horas de comboio, os bairros da capital e da Invicta, os hotéis, os transatlânticos e o contexto dos acontecimentos que vão tendo lugar. Deliciei-me nos cenários, por muito que haja quem se queixe das descrições, são os cenários que fazem um romance histórico. Vá lá leitores, não sejam preguiçosos! O que é um bailado sem tules? O que é um teatro sem setting?É meu gosto pessoal não gostar muito de mergulhar dentro da cabeça das personagens. É muito meu agir primeiro e pensar depois, daí que não atribua cinco estrelas. Gostaria de ter visto a personagem principal menos reflexiva e mais proactiva. Contudo, em nada prejudica o bonito quadro de época.Aconselho a quem queira espreitar a última década daquele que é o meu século histórico favorito.

  • Ivonne
    2018-11-08 19:02

    Interessante. Não houve um único livro da Carla M. Soares ao qual eu não tenha atribuído uma cotação de 5* - genuinamente merecidas. O Alma Rebelde, o bebé da autora de 2012, foi o primeiro do género que li, um dos primeiros livros que não só marcou o meu regresso à leitura como revelou uma história doce que nos remeteu para uma época de casamentos forçados e em que poucas vezes o amor prevalecia. O A Chama ao Vento, publicado em formato digital pela Coolbooks este ano, tratou de várias temáticas entre elas a necessidade de fugir à opressão de um governo ditatorial para países como a Alemanha – um facto que abarcou a minha família – com segredos familiares, sacrifícios e a necessidade quase visceral do protagonista de descobrir o passado para ter um futuro; um livro que me foi especial por diversos motivos e ainda mais por mérito da autora.E, finalmente, vem este Cavalheiro Inglês... não de armadura reluzente no seu cavalo branco e cabelo ao vento, mas com um português de pronúncia defeituosa que nos aquece o coração e um temperamento que sem o tornar no diabo também não o torna santo, com uma proposta... terrível e deliciosa que chega na altura certa. Tenho tanto para dizer, como já vem sendo hábito quando adoro um livro de alma e coração, que nem sei por onde começar.Ora... vamos lá. Passo o link para AQUI, pelo facto de ter alguns itálicos e demorar a editar no html...

  • Rosana Maia
    2018-11-13 20:07

    Com muita pena minha, não escrevi esta opinião quando devia! A verdade é que, por vezes, as mudanças na nossa vida fazem com que mesmo as coisas que mais gostamos de fazer, como ler, fiquem um pouco para trás na nossa inúmera lista de tarefas diárias. Assim, sinto-me na obrigação de dizer que mais uma vez gostei muito de ler uma obra da Carla, e que espero conseguir transmitir da melhor forma o quão bem escreve a autora e a agradável leitura que nos proporciona em cada obra que escreve.Queria tanto transmitir o que senti da melhor forma que ponderei reler a obra. Mas depois de pensar, cheguei à conclusão de que tal não faria sentido para já. Ainda só passaram 2 meses desde que li o livro, pelo que até corria o risco de o desvalorizar por ter a história de Sofia e Sebastião ainda muito presente no meu coração.Na sequência do ultimato inglês, Carla Soares conta-nos de perto a história do visconde Silva Andrade que se encontra falido, como resultado de maus investimentos. E como é típico na história, a solução para muito destes problemas é casar rapidamente a sua filha Sofia.No entanto, Sofia não é uma filha qualquer. Capaz de pensar pela sua própria cabeça, decide fazer aquilo que acha melhor para a sua família, que não corresponde ao que seria melhor para ela! Assim, com todos estes dilemas, ficamos a conhecer bem esta personagem, os seus pais e também o seu irmão, Sebastião.E não poderia deixar de falar levemente no cavalheiro inglês, Robert, por quem podemos nutrir sentimentos contraditórios. Não quero falar muito dele para não criar ilusões nem desilusões, mas não podia deixar de referir que também ele tem um papel importante nesta história - não desse ele nome a esta bela obra "O Cavalheiro Inglês".Mais do que a história em si, assim como “atrás de um grande homem temos uma grande mulher”, também “atrás de um bom livro temos um grande escritor”. E a Carla é uma excelente escritora. :) Sempre que pego num livro da autora, deparo-me com uma escrita cuidada, melodiosa, com descrições maravilhosas, capazes de agarrar o leitor do início ao fim do livro.Fica sempre a vontade de ler mais livros da Carla! Já li o Alma Rebelde – sem dúvida o meu preferido, chamando pelo meu lado romântico! Mas este último – O Cavalheiro Inglês – não fica nada atrás. Lembro-me perfeitamente onde estava aquando da leitura da obra. Lembro-me também dos inúmeros sorrisos que fui esboçando no sofá. Lembro-me até de ter sentido necessidade de partilhar estes meus sorrisos e esta felicidade inerente à leitura de um livro da Carla! Ahhh como é bom ler um livro assim!Para terminar, não poderia deixar de agradecer à Marcador Editora que gentilmente me cedeu esta obra para leitura e opinião, proporcionando-me mais uma vez uma leitura de qualidade, genuína e maravilhosa. Pode não ser capaz de conquistar todos os leitores, porque claro somos todos diferentes e temos gostos diferentes, mas é uma obra digna de ser lida, digna de ser sentida e digna de ser vivida!http://bloguinhasparadise.blogspot.pt...

  • Manuela Santos
    2018-11-05 17:16

    A capa do livro é encantadora e chamou desde logo a minha atenção. Já há algum tempo que tinha vontade de ler um livro da autora. Pela sua maneira de estar, transmitia-me uma certa curiosidade na maneira de escrever. Adorei a maneira como a Carla nos traçou, desenvolveu e terminou a história.O Cavalheiro Inglês é um romance de época, passado nos finais do século XIX, de leitura rápida, agradável e compulsiva e com uma escrita fluida, leve, clara, emocionante e envolvente que nos transporta para o interior das suas páginas. Fiquei feliz por ver que a autora não me decepcionou em nada, era mesmo o que estava à espera. Obrigada Carla pela genuinidade, partilha e por toda a investigação que fez da época e da situação da crise bancária e económica que estava a acontecer por toda a Europa nessa altura.A maneira como descreve os cenários, os personagens, as roupas e os pormenores, marcam pela clareza com que nos elucida. É um livro delicioso e a autora explorou ao máximo todos os detalhes.A Sofia fez-me viajar pela época e transportou-me e muito bem para o interior dos finais do século XIX. Toda a trama é um verdadeiro enredo do que se passava naquela época onde as mulheres eram de submissão extrema. A mulher ocupava um papel secundário na família, era submissa e devia obediência ao homem. Responsável pelo tratamento dos filhos e até no que se referia à educação esta era posta em segundo plano. A figura feminina não usufruía de direitos morais nem de autonomia. Mas Sofia sonhava com os seus ideais e ser independente. Mas, a Sofia era uma jovem da nobreza (na miséria) que adorava ler, era inteligente, curiosa, corajosa, decidida e audaz. Estava empenhada em fazer valer a sua voz. Vai dar luta pela sua emancipação durante a história, porque para ela a mulher também nasce com cérebro, não era só exclusividade do homem. Mas vai passar como se costuma dizer “passar as passinhas do Algarve” para defesa da sua família e dos seus ideais. Disposta a lutar contra tudo e contra todos.O irmão Sebastião (Tião) era um jovem rebelde/revolucionário que se vai meter em situações complicadas, na origem de movimentos políticos. Apaixonado por Ludovina sua noiva.Robert Clarke (cavalheiro inglês) tinha um olhar azul como um céu de verão. Detestei o idiota do duque de Almoster que tanto mal provocou.Fez-me recordar o livro do Equador embora diferente, aqui a personagem principal é uma mulher. Que bem conseguida esta história, pois para me fazer lembrar um livro que adorei, quer dizer que este não se ficou nada atrás.Para terminar Recomendo sem reservas a autora Carla M. Soares Quem tiver o romance na estante, pegue nele, quem não o tiver vá já a correr adquiri-lo, pois não se vai arrepender.Sendo o primeiro livro deste ano, refiro que comecei com nota 10*Parabéns à Marcador por ter apostado numa autora portuguesa.

  • Ana
    2018-11-04 18:54

    Oferecemos (o filhote e eu) este livro ao N. o ano passado, no Dia do Pai. Ele leu-o e recomendou-o. Mas por esta ou outra razão inexplicável, o livro foi remetido ao seu cantinho da estante e por lá foi ficando até que numa limpeza mais a fundo ao pó voltei a estar com ele nas mãos, decidi que teria que resgatá-lo da estante para a mesinha de cabeceira e mergulhar na sua história.E ainda bem que o resgatei porque ninguém consegue ficar indiferente aos amores tumultuosos, ariscos e excitantes de Sofia da Silva Andrade e do seu enigmático cavalheiro inglês. A narrativa transporta-nos até aos finais do século XIX, época em que Portugal vivia uma situação conturbada a nível económico, social e político (é impossível não traçar um paralelismo entre o passado e o presente…). A nação estava ainda a tentar digerir a afronta do Ultimato Inglês, a família real e os seus gostos exorbitantes depauperavam ainda mais os já depauperados cofres nacionais e os assentos políticos de destaque mal aqueciam, pois quem se sentava neles fazia-o por muito pouco tempo, estando constantemente a ser substituído. Deste cenário nada favorável resultam consequências catastróficas para muitas famílias nobres, que, de um momento para o outro, constatam que estão a poucos passos de perder tudo o que investiram e uma vida de luxos e comodidades. A família Silva Andrade é um desses exemplos. Agarrada a nostalgias, ao nome, ao título nobiliárquico e a preconceitos, apenas vê no casamento dos seus dois filhos com elementos de outras famílias nobres a solução ideal para escapar a uma vida inaceitável para quem não conhece outra que não seja pautada por dinheiro, posição social, festas, jantares e ambientes requintados.Contudo, nem Sebastião, o filho varão, nem Sofia comungam com a visão estreitada e rígida dos seus progenitores. Ele alimenta-se de ideais anárquicos e defende a todo o custo a abolição de classes e sobretudo da monarquia. Ela combate com as armas que pode a posição inferior e de “bibelô” imposta às mulheres da sua classe, procura estar informada e deseja fazer algo mais do que sujeitar-se a um casamento para ajudar a família a resolver os seus problemas financeiros. Infelizmente, nem tudo é tão linear como estes irmãos anseiam e tanto um como o outro veem-se obrigados a pôr de lado os seus ideais, os seus sonhos…Iniciei esta opinião fazendo referência aos amores de Sofia e de Robert, o seu cavalheiro inglês. É inegável que a obra escrita por Carla M. Soares é um romance histórico, mas também é evidente que a sua força maior reside nos seus protagonistas e especialmente, na força das suas personalidades e no amor que explode entre os dois. Sofia é o paradigma da menina aristocrática que usa a cabecinha não só para enfeitá-la com chapéus, laços e fitas. Está atenta ao que se passa ao seu redor, escuta as conversas dos homens, lê os jornais e confidencia as suas preocupações com quem esteja disposta a ouvi-la. É dona de uma personalidade forte, de um geniozinho que explode à mínima provocação e de um coração que se aperta sobretudo com as desventuras do seu irmão.Por sua vez, Robert é o típico homem atraente, enigmático e que consegue perturbar a determinação e a altivez de Sofia com a profundidade do seu olhar azul. Não é bem visto pela sociedade nobre portuguesa (muito menos pelos pais de Sofia) apenas porque é da banda inimiga, apenas porque calhou nascer em terras inglesas. Carrega consigo um passado sombrio, mas ao qual qualquer mulher faz vista grossa perante o seu charme, o seu olhar carregado de promessas “incendiárias” e toda a sua postura de “bad boy” com um coração de ouro, que tudo faz para ajudar os mais desfavorecidos nem que seja por vias menos claras ou por puro interesse próprio.Por tudo isto, pela força e carisma destes protagonistas fui avançando com prazer e interesse na narrativa. Acedi de bom grado a que a sua história, a crescente cumplicidade e intimidade dos dois me disponibilizassem a perfeita evasão para outros tempos, para outros lugares, para outros costumes e me possibilitassem sair, esquecer estes dias tórridos. Mas reconheço que O cavalheiro inglês nos proporciona uma bela leitura por outras igualmente suculentas razões – o estilo simples, mas cuidado da escrita da autora, a bem documentada contextualização histórica (apenas ressalvo o que se diz no início da página 319 e que faz crer que, em finais do séc. XIX, se atravessava de comboio o rio Douro pela ponte D. Luís – penso que a informação correta seria “ponte D. Maria Pia”), o leque de personagens provenientes de vários estratos sociais, o clima de mistério e ação que envolve determinados acontecimentos da vida de Sofia e de Sebastião e a parte mais cómica e leve dos arrufos entre irmãos e entre os protagonistas.Em conclusão, recomendo a leitura desta obra. É de leitura fácil, ótima para acompanhar-nos nestes dias de descanso e relaxamento, possui um ritmo vivo e oferece-nos uma história de amor daquelas às quais não faltam vilões, uma heroína “acorrentada a um castelo de preconceitos e tradições retrógradas” e um herói que, vindo de terras longínquas” luta contra “ventos e marés” para que a sua amada seja apenas sua. Em suma, os ingredientes indispensáveis estão lá – basta deixares tentar-te por eles :)NOTA – 08/10

  • Tita
    2018-10-25 13:15

    Opinião mais completa no blogueTinha expectativas muito elevadas e a verdade é que cheguei ao fim da leitura extremamente satisfeita. Ou melhor dizendo, adorei!Com excelentes personagens, bem descritas e caracterizadas, não só as principais como também as secundárias, tornando-se bastante reais e verossímeis.A escrita de Carla M. Soares é magnifica. Cuidada, bem pontuada, mas muito fluída e envolvente. E tenho que dizer que adorei "ouvir" o Robert a falar português =)Tenho ainda que falar na construção da história. Com um equilíbrio perfeito de factos históricos, drama, mistério e romance. Com excelentes descrições que nos transportam para Lisboa e Porto do fim do século XIX.A minha única "crítica" é que as quase 400 páginas passaram a "voar" =)Adorei! E tornou-se no meu livro preferido da Carla.

  • Margaret
    2018-11-06 12:57

    Este foi o primeiro livro que li da Carla M. Soares e fiquei rendida. Temos uma história rica em detalhes, sem ser fastidiosa; romântica, sem ser piegas; que respeita o período histórico, mas introduz algumas “liberdades” para a melhor fruição do leitor moderno. Enfim, um verdadeiro achado!A história, que arranca em 1892, após a “vergonha” do Ultimato Inglês, gira à volta da família arruinada do Visconde Silva Andrade. Sem meios financeiros para continuar a sustentar uma vida luxuosa, a filha, Sofia, vê-se obrigada a ficar noiva de um duque arrogante que detesta. Já o filho, Sebastião, vê nas lutas dos Republicanos e Anarquistas uma fuga para a sua vida sem rumo. No meio deste drama familiar, surge o “cavalheiro inglês”, Robert Clarke, filho de burgueses, sem título nobre, mas com muito dinheiro para salvar a família do Visconde da ruína. Agora, o que ele pede em troca é que não é muito fácil de engolir…Gosto de livros com heroínas fortes e dinâmicas, mas verosímeis, e a Sofia tem estas características. Apesar de fervilhar com as injustiças que são cometidas contra as mulheres, meros objetivos decorativos e parideiras de herdeiros, ela suporta os insultos do noivo, cala-se perante as suas barbaridades. Afinal, no século XIX, o futuro não era nada brilhante para as mulheres sós, sem qualquer qualificação profissional. O casamento era (quase) a única saída. Ainda mais, quando a sobrevivência da família estava em causa.Depois, temos a relação atribulada entre Sofia e Robert, bem ao estilo de “Orgulho e Preconceito” de Jane Austen. Duas personalidades fortes que chocam, que sentem uma certa desconfiança mútua, mas que acabam por fazer uma boa equipa quando mais altos valores chamam; neste caso, salvar o irmão, Sebastião, de cometer loucuras anarquistas que podem custar a sua vida. Mas, apesar de gostar desta dinâmica entre as personagens, há um pequeno pormenor que me incomodou no livro… É aquilo que chamo “a evolução da formalidade”. Muitas vezes, opto por ler livros em inglês, pois esta questão não se coloca – só existe o “you” e, como leitora, “construo” o maior ou menor grau de formalidade conforme a minha interpretação do desenvolvimento da narrativa. Em português, temos o “tu” e o “você” e eu admiro muito os escritores (e principalmente, os tradutores) que sabem gerir a utilização destas formas de tratamento e fazer a transição quando existe uma aproximação e nova confiança entre as personagens. Sofia e Robert têm uma relação distante no início, existe uma barreira clara, que não é para ultrapassar. No entanto, o gelo vai-se derretendo, a genuína cumplicidade surge, mas a formalidade mantem-se. Eu sei que as pessoas eram mais formais no passado e não havia tanto aquela relação “tu cá, tu lá”. Mas a Sofia faz a distinção; ela trata as pessoas de quem gosta – o irmão, as amigas, a velha ama – por tu. Porquê continuar a tratar o homem, que já assumiu amar, por você? Isto afastou-me da Sofia e do Robert; a formalidade atravessou as páginas do livro e colocou uma espécie de barreira entre mim e eles, como se me estivessem também a dizer “mantenha-se aí no seu canto, que não queremos aqui grandes envolvimentos da sua parte”. Ok, sou estranha, confesso… Uma leitora emocional, sem cura.Mas, “pormenores” à parte, a Carla M. Soares está no meu radar. Já estou com outro livro dela na minha mesinha de cabeceira.

  • Poli
    2018-10-29 15:03

    GOSTEI MESMO MUITO DESTE LIVRO!ADOREI O ESPÍRITO COMBATIVO DA HEROÍNA E O HERÓI MUITO POUCO CONVENCIONAL (como os ingleses diriam "delicious").Duas almas que se unem contra as convenções, levadas por um sentimento crescente que nos embala a nós também a cada voltar de pagina. Sofia cresce e floresce mergulhada no olhar de mar do homem que deseja e mais tarde ama, e ele, perdido de amores, mostra-nos que com todos os seus defeitos, merece também ele ser amado. As descrições de uma maneira de viver e pensar, por vezes não tão diferente de que acontece nos dias de hoje, é não só pormenorizada, mas bela na gentileza com que Carla M. Soares coloca as palavras.De facto é isto que penso do livro, É BELO.Uma bela historia de amor que tem como pano de fundo um tempo conturbado da nossa história descrito de forma viva e sentida. Talvez um tempo com bastantes semelhanças ao que se passa na nossa economia hoje...

  • Isaura Pereira
    2018-11-11 15:10

    Já há muito que ouvia falar na Carla, não só pela sua simpatia, mas enquanto autora e no seu talento. Daí ter muita curiosidade em ler algum livro da autora. Quando me ofereceram este livro esperei pela altura certa para o ler.Foi uma leitura excelente. Pelo tema, pelas personagens, mas sobretudo pela escrita da Carla. Uma escrita doce e emotiva, que nos envolve a cada palavra. Personagens que nos chegam ao coração e outros que nos irritam, que nos transmitem emoções. Há uma contextualização histórica fantástica, com descrições fabulosas, que se escritas por outra pessoa poderia achar enfadonhas. Mas a com a Carla não. Tudo é poético, romântico, mas real.Sem dúvida que se tornou numa autora favorita e quero ler mais livros da Carla. Recomendo vivamente.

  • Paula
    2018-10-25 20:01

    Para mim o melhor livro da Carla, é possível ver a confiança na sua escrita a aumentar de livro para livro.Li em 3 dias, fiquei presa à trama desde o início, gosto especialmente da complexidade das personagens. O Duque que esconde as suas tendências, o Inglês que tem um lado obscuro por trás dos seus olhos azuis, o irmão que nem sabe bem no que se mete.... e a Sofia presa no meio disto tudo. Fico à espera do próximo livro!

  • Clarinda
    2018-11-14 18:22

    Definitivamente rendida a este cavalheiro!Definitivamente rendida a livros históricos com belas histórias de amor como base!Definitivamente rendida a esta autora!Obrigada Carla M. Soares por mais esta bela viagem que me proporcionou aquando da leitura deste seu novo livro. Fico ansiosa à espera do próximo!

  • Carla Faleiro
    2018-11-03 16:06

    Adorei!!!Se já tinha gostado bastante de Alma rebelde, este fez as minhas delicias! Tão romântico!O Robert é um cavalheiro, sexy e divertido! A Sofia é uma teimosa! O Sebastião um doido... A época em que se passa este romance é a ideal para estes personagens, não poderia ser de outra forma. Carla, já estou à espera do próximo, ok?

  • Filipa Cabaça
    2018-10-30 17:55

    Apesar de ter demorado um pouco a ler este livro gostei imenso. Opinião em breve no blogue.

  • Cristina Delgado
    2018-10-29 15:06

    Depois de uma espécis de bloqueio de leituras, terminei finalmente este Cavalheiro Inglês. Todas as premissas para me fazer devorar estas páginas estavam lá, a verdade é que não aconteceu aquele click que outros livros fazem...A época é interessante e a ideia de acompanhar um senhor inglês movendo-se nos círculos da Nobreza portuguesa pós Ultimato pareceu-me sempre bastante promissora. A escrita da Carla, que já antes me tinha contagiado completamente, continua bastante simples e sem grandes floreados, característica que eu aprecio bastante, o que torna mais agrádavel ler romances históricos.Gostei igualmente dos personagens, se bem que várias vezes tive vontade de dar uns estalos a Sofia por tamanha casmurrice...Balanço final de 3 estrelas. Acho que não foi a melhor altura para esta leitura, arrasteia durante bastante tempo, o que não ajudou a que tivesse uma melhor opinião... (Mas isso é mais um problema meu do que do livro me si!)

  • Carina Carvalho
    2018-11-19 15:19

    O início deste livro leva nos numa descrição da vida política e social vivida nos anos de 1890. Pensei que não ia gostar pois não é muito o meu gosto mas conforme fomos avançando na história percebi que essa introdução era importante para perceber melhor as personagens e as suas reações e atitudes. Adorei as alturas em que é descrito os pensamentos de Sofia... muito engraçado (pavão, cor de beterraba....) Segundo livro desta autora e adorei os dois. Escrita portuguesa no seu melhor

  • Molly
    2018-11-13 19:22

    Este foi o primeiro livro que li da autora Carla M. Soares, em parceria com a Marcador, e foi com muita curiosidade que o comecei a ler, devido a todas as boas opiniões que tenho lido e também à sinopse, que é bastante interessante.O livro conta a história de Sofia, uma nobre jovem em idade casadoira, filha de uma família de viscondes falida. Num período bastante conturbado da História Portuguesa (finais do séc. XIX, depois do Ultimato inglês e da crescente revolta republicana e anarquista) a narrativa centra-se em Sofia e no seu irmão, Sebastião, um jovem com ideais republicanos. Quando a jovem se vê na perspectiva de casar com um duque vindo do Brasil, rico e poderoso, mas também bêbado e violento, Sofia tem de fazer uma difícil escolha: casar para salvar a família da ruína ou seguir o seu coração? No entanto, há mais alguém que pode estar interessado nos negócios da família e na própria Sofia: o cavalheiro inglês. Assim, a jovem vê-se no centro de escolhas bastante difíceis. Gostei bastante desta história. O contexto histórico está muito excelente, mostrando as dificuldades sentidas pela população durante este período conturbado, a todos os níveis, desde a política até à economia, passando pela própria sociedade. A autora não se poupou a esforços para criar um ambiente rico, real e com descrições fantásticas, de excelente cariz histórico. Este é um dos séculos que mais me agradam e gostei de ler uma história bem contada, passada em Portugal, durante este período. É sempre bom poder juntar ao prazer de ler, o prazer de aprender e de conhecer e nada é melhor do que um bom romance histórico para que tal aconteça. Este foi mais um desses casos e gostei muito de o ler. Outro aspecto que me agradou foi a escrita da autora, bastante fluída e com alguns floreados da época, que, por vezes, me fizeram lembrar Os Maias, de Eça de Queirós. No entanto, devo confessar, que as partes referentes a aspectos mais quotidianos se mostraram um bocadinho menos fluídas, como por exemplo, os diálogos entre Sofia e as amigas. Também gostei bastante das personagens e da intriga que se estabelece ao longo da narrativa. Confesso que ao início não gostei muito de Sofia, mas, à medida que fui avançando, a personagem também avançou, e apresentou um bom desenvolvimento, presenteando-me com um final muito bonito! Também gostei de Robert e de Sebastião, talvez as duas personagens que mais me agradaram. Gostei bastante da parte política da narrativa e também da intriga à volta do que aconteceu ao duque.O parte romântica está muito bonita e pouco convencional, o que é bastante agradável. Gostei muito da forma como a relação de Sofia e Robert foi progredindo e do que se passou à sua volta. Também aquele ar de mistério que começa a estabelecer-se à volta das personagens foi bastante bem vindo. Mais um excelente livro editado pela Marcador, que me deu imenso gosto de ler. Como referi no início, este foi o primeiro livro da autora e espero ler mais, pois fiquei bastante satisfeita com a história! Recomendo com muito gosto! Tenho também a agradecer à Marcador por me ter permitido a leitura desta excelente história, um Romance Histórico com letra maiúscula! Muito bom. Os meus parabéns à autora, por presentar os leitores com esta obra muito boa! Um excelente retrato da sociedade da época, com um desenlace fantástico!

  • Márcia Balsas
    2018-11-12 16:13

    A minha primeira leitura de 2015 foi muito bem escolhida. Confesso que leio cada vez menos romances deste género, por receio de uma certa banalidade, demasiados lugares-comuns e enredos previsíveis. Contudo, por vezes, é muito bom entrar no universo de uma história de amor arrebatadora. Sabe bem. Para mim, foi até algo terapêutico.As quatrocentas páginas de “O Cavalheiro Inglês” voaram sob os meus dedos. A intensidade da história e a construção do romance obrigaram a uma leitura quase compulsiva. Dos três romances publicados da autora este foi, sem dúvida, o que mais me agradou, com o qual criei mais empatia e que, por isso, li de um fôlego.Com doses bem medidas de mistério e paixão, o leitor entra na vida de Sofia, uma menina de boas famílias na Lisboa de final do século XIX. Num retrato de época bem conseguido, Sofia destaca-se pela sua inteligência e interesse pelos assuntos vedados às mulheres, ou seja, tudo o que vai para lá dos bailes da sociedade e da preparação do seu casamento. Penso que a empatia com Sofia foi um dos principais objectivos de Carla M. Soares, e essa empatia é, de facto, imediata. A partir daqui, com o leitor interessado, curioso, e ávido de percorrer a história de uma menina sedenta de coisas diferentes mas que, por imposição familiar, se vê presa num casamento de interesses, o livro não pode mais ser deixado de lado. E claro, o surgimento do misterioso Inglês, um verdadeiro herói que salva, contra tudo e todos, a jovem em perigo.Simples e previsível, como tem de ser uma história de amor que se deseja a cada página que acabe bem.No que refere à escrita, considero este o romance mais maduro de Carla M. Soares. Nota-se uma evolução em relação aos anteriores que resulta num estilo mais cuidado e elegante, e que, acredito agradará a um leque mais vasto de leitores.Um livro que me trouxe paz e felicidade. Perfeito para sossegar o espírito de leituras mais exigentes e duras. Leve sem ser banal. Intenso e apaixonado sem ser lamechas. Gostei muito.Sinopse“PORTUGAL. 1892. Na sequência do Ultimato inglês e da crise económica na Europa e em Portugal, os governos sucedem-se, os grupos republicanos e anarquistas crescem em número e importância e em Portugal já se vislumbra a decadência da nobreza e o fim da monarquia.Os ingleses que permanecem em Portugal não são amados.O visconde Silva Andrade está falido, em resultado de maus investimentos em África e no Brasil, e necessita com urgência de casar a sua filha, para garantir o investimento na sua fábrica.Uma história empolgante que nos transporta para Portugal na transição do século XIX para o século XX numa descrição recheada de momentos históricos e encadeada com as emoções e a vida de uma família orgulhosamente portuguesa.”Marcador, 2014

  • Sofia Rego
    2018-11-16 19:20

    Sou uma fã da Carla, e depois de ter lido mais um livro dela, pergunto-me constantemente o porquê de autoras como ela, não terem metade do mediatismo que muitos outros têm, não escrevendo metade do que ela escreve. Enfim!!O Cavalheiro Inglês foi mais um romance de época que adorei ler. Hoje em dia confesso que tenho um pouco de medo de pegar neles, porque apesar de muitas vezes passar um bom tempo a lê-los, cada vez se tornam mais cansativos - ver sempre a mesma formula, os protagonistas com as mesmas qualidades, etc, etc... mas isso não aconteceu com o Cavalheiro.Temos Robert com dois lados distintos, não se arrependendo do passado, mas tentando melhorar algumas coisas no presente. E quando descobre Sofia, e a consegue para si, faz de tudo para a ver feliz e satisfeita, não sendo muito de palavras, mas sim de actos.A Sofia é uma personagem muito própria- forte, mas mimada, em que diz que sabe bastante coisa, mas depois acaba por perceber que não é bem assim como ela pensava, e que existe muita coisa no Mundo que ainda precisa de aprender, essencialmente nas diferenças que existem entre as classes sociais. No entanto acho que ela evolui bastante ao longo do livro e gostei do facto dela não estar focada apenas nos seus problemas, tendo sempre a preocupação constante em relação ao irmão, a tentar ajudar e nunca desistindo de o trazer para o caminho certo, quando amamos alguém é isso que fazemos. (SPOILER)... O único ponto que não apreciei tanto foi quando finalmente a Sofia caiu em si em relação ao casamento com Filipe, e daria um ponto final em tudo - Filipe morre. Preferia ter visto como a Sofia iria resolver a situação, ver a acção que iria tomar depois de tanto tempo de humilhações. (SPOILER)Recomendo!

  • Marta
    2018-11-06 14:07

    Avaliar este livro não foi de todo fácil, contudo decidi dar-lhe o beneficio da dúvida concedendo-lhe 4 estrelas. Todavia esta pontuação é mais um 3,5 estrelas, adicionando ainda um principio pessoal que é: detestar as personagens, não equivale a detestar a história. História: Gostei imenso da escrita, do enredo construído, dos assuntos abordados (alguns ainda tabu na sociedade actual), e as descrições de um Portugal em decadência enquanto se debate com os seus eternos problemas economicos e politicos.Personagens: os irmãos Silva Andrade pareceram-me humanos mimados, sem noção da realidade. Não os culpo a crescer com aqueles pais, mas não me pareceu que eles tivessem qualquer substância. Para a Sofia os pobres e os trabalhadores são um afterthought, e o Sebastião envolve-se na luta politica (terrorista) de modo completamente inconsequente. Por fim o Robert, eu diria que ele tem morais questionáveis, mas a verdade é que ele não tem moral nenhuma. Recomendo vivamente a quem goste de romances históricos, e sem dúvida lerei mais livros da autora.

  • Maria João
    2018-11-17 17:14

    Para mim o melhor livro da autora.Se já tinha gostado do Alma Rebelde então com este rendi-me completamente.Primeiro em termos históricos, conciso, apesar de na minha modesta opinião poderia colocar um pouco mais de história mas isso sou eu :)Depois as personagens com quem criei uma empatia imediata. A Sofia é deliciosa, aquele irmão só me apeteceu bater-lhe de tão inconsciente e o Robert tão apaixonado. E apesar de inicialmente o seu "aportuguesado/inglesado" me ter feito alguma confusão com a continuação acabou por me cativar.Espero sinceramente que a autora esteja já a escrever o próximo livro (histórico sim, please) e que seja publicado, pois autores portugueses com qualidade escasseiam e temos de agarrar bem os que temos.

  • Vanessa Montês
    2018-11-16 14:20

    (...)Este livro, comparativamente ao livro "Alma Rebelde" da autora, está sem dúvida muito melhor. A leitura é muito mais fluída, o leitor liga-se mais a estas personagem e mesmo a ação prendeu-me mais do que no livro que tinha lido anteriormente. Adorei a personagem de Sofia, a típica menina rica cuja evolução acompanhamos ao longo do livro. No início vimos uma rapariga mimada, que não sabe nada da vida e que é afastada de tudo o que lhe pode obrigar a pensar por si. Mas ao longo do livro vemos como começa a crescer, a compreender o que se passa à sua volta e a saber que sacrifícios tem que fazer por ser quem é.(...)Opinião completa em http://blocodedevaneios.blogspot.pt/2...

  • Roberta Frontini (Blogue FLAMES)
    2018-11-11 19:00

    Em breve meto a minha opinião no blogue (www.flamesmr.blogspot.com) Estava muito curiosa para ler este livro pois adoro a escrita da Carla M. Soares. É sem dúvida um romance de época que vale a pena ler, com um fantástico enquadramento histórico e lindas descrições de locais, roupas, e mesmo das personagens. Boas leituras :)

  • Sandra Melo
    2018-10-26 20:04

    4,5O Cavalheiro Inglês... Para mim é Uma Portuguesa com Garra.Parabéns Carla depois de uma Alma Rebelde que adorei (para mim continua a ser o preferido) temos um Cavalheiro Inglês formidável... E venham mais históricos...

  • Joana Almeida
    2018-11-12 19:23

    Eu passei grande parte deste ano a tentar ler este livro, e neste mês estive a tentar terminar as leituras inacabadas do ano e este foi uma delas. Tenho mesmo muita pena por não me ter afeiçoado a este livro, porque as duas obras anteriores da Carla M. Soares tornaram-se especiais para mim. Vou tentar explicar o porquê desta minha opinião. Este livro fala um pouco da história portuguesa na sequência do ultimato inglês. Para mim, apesar disso penso que acaba por ser mais romance (sem ser histórico) porque senti que a história que o livro conta e a época em que está inserido são elementos que parecem não querer conviver. É como se nos tivesse a dar uma aula sobre história, mas na realidade os comportamentos das personagens em questão continuam a ser ligeiramente contemporâneos. São enumerados factos e o livro tenta inserir os seus leitores na época, mas não tenho a certeza se realmente o chega a conseguir. Os acontecimentos focam-se em Sofia, uma personagem que quer ser forte, mas acaba por ser mais irritante. Ela é profundamente mimada e os outros elementos parecem ser feitos para satisfazer a sua vontade. Não gostei absolutamente nada dela, e penso que foi aí que o livro falhou para mim, porque tende a ser difícil afeiçoar-me ao livro quando não me identifico com as personagens da obra. Gostei do Sebatião, penso que ele herdou grande parte do altruísmo da família. Em relação ao Robert, penso que a base da personagem está bem construída, ele é tipicamente inglês, um pouco frio, mas angustiou-me vê-lo a andar atrás de Sofia, como se dela precisasse para sobreviver. Queria ter gostado deste livro, mas acho que não foi simplesmente escrito para mim.

  • Mariana
    2018-10-26 14:06

    4,75*Depois de ler "Alma Rebelde" fiquei com vontade de ler mais da autora e este livro não desiludiu.Nota-se bastante a pesquisa que a autora fez da época portuguesa e faz-nos ver que também em Portugal os da nobreza nem sempre eram grandes peças.As personagens estão muito bem construídas. É possível sentir o conflito interior de Sofia entre fazer o que lhe ensinaram ou aquilo que sente, entre ser egoísta ou sacrificar-me para que ninguém perca o seu trabalho. E é tão bom acompanhar o crescimento dela ao longo do livro, ver que as mulheres podem tão corajosas como os homens.Robert é engraçadíssimo, adorei que a autora escreve-se mesmo a maneira real como ele fala, ou seja, com imensas calinadas no português. É capaz de fazer tudo por Sofia e ela nem se apercebe disso ao início, mas é bonito de acompanhar os sentimentos que vão crescendo dentro deles.Do duque nem é preciso falar, fiquei bastante feliz com o que de mal lhe aconteceu, era uma pessoa desprezível. Mas retrata a realidade, um título e ter muito (supostamente) dinheiro, faz com que as pessoas virem os olhos para o outro lado e deixam que façam o que quiserem.Sebastião... bem, gostei tanto dele ao início e depois começou a irritar-me profundamente. Nem acredito que deixava a irmã ser tratada tão mal pelo duque sem sequer a tentar defender! E depois quando as coisas ficam realmente más, lembra-se que tem de deixar de falar muito e começar a agir mais... pena é que comece a agir da forma errada. Ele foi a única razão de não dar 5* totais ao livro.Gosto muito da escrita de Carla e das histórias que ela nos conta. Acho que pode ter muito sucesso, não só em Portugal, mas internacionalmente também.

  • Telma
    2018-11-10 13:12

    Foi um livro que andou debaixo de olho desde o seu lançamento mas que só na Feira do Livro 2015 é que acabei por comprar. Gosto muito de romances românticos, principalmente se forem históricos e o Cavalheiro Inglês parecia ter todos os os elementos que eu procurava: romance, história portuguesa, uma heroína corajosa. A acção começa com Sofia a ler numa sala excessivamente mobilada para a sua dimensão e expande-se para um retrato da sociedade portuguesa nos finais do séc. XIX, com todos os seus desafios sociais e políticos. Eventualmente Sofia conhece o Cavalheiro Inglês com quem casa, rompendo todas as convenções sociais da altura. É aqui que a narrativa do Cavalheiro Inglês deixa de ser previsível e torna este livro numa leitura interessante e nunca aborrecida. A componente política está muito presente mas pela forma como afecta a sociedade, e mais particularmente a vida da protagonista, não como ensaio político da época.Adorei a caracterização da sociedade, dos passeios na Avenida da Liberdade, da doença da amiga de Sofia, da relação de irmãos entre Sofia e Sebastião. Amei o sotaque de Robert a tentar falar português. <3Mas acima de tudo adorei a escrita da autora. Maravilhosa! Restaurou-me o gosto de ler autores portugueses, gosto esse que estava já tão fragilizado e desmotivado. Fez-me desejar ler tudo o que ela já escreveu e o que virá a publicar. É sem dúvida uma autora para continuar a acompanhar e recomendo vivamente a quem procura um romance histórico que tem como pano de fundo Portugal do Séc. XIX.