Read O Livro das Igrejas Abandonadas by Tonino Guerra José Colaço Barreiros Online

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As Palavras Dentro de uma Pedra"Debaixo do chão da igreja matriz do Rosário encontraram uns mortos que estavam sentados. Ainda tinham nos pés meias de cores variadas como se costumava fazer dantes com os restos das malhas desfeitas.De um buraco dos alicerces saiu uma espécie de pedra que não era realmente uma pedra, mas parecia. Mais tarde viram que se tratava de um livro,As Palavras Dentro de uma Pedra"Debaixo do chão da igreja matriz do Rosário encontraram uns mortos que estavam sentados. Ainda tinham nos pés meias de cores variadas como se costumava fazer dantes com os restos das malhas desfeitas.De um buraco dos alicerces saiu uma espécie de pedra que não era realmente uma pedra, mas parecia. Mais tarde viram que se tratava de um livro, talvez um caderno cosido à matroca no dorso com um cordel.Um professor holandês, fartando-se de estudar, descobriu que se tratava do diário de um santo sepultado na igreja, mas tinham-lhe também roubado os ossos. Um ano depois, com lentes grossas que nem fundos de garrafas, o professor conseguiu ler qualquer coisa dentro da pedra. Em primeiro lugar estas palavras: «Mais solitário que Deus não há ninguém»."Excerto de O Livro das Igrejas Abandonadas....

Title : O Livro das Igrejas Abandonadas
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ISBN : 9723704145
Format Type : Paperback
Number of Pages : 64 Pages
Status : Available For Download
Last checked : 21 Minutes ago!

O Livro das Igrejas Abandonadas Reviews

  • Carmo
    2019-04-03 02:48

    A minha intenção era ir lendo isto alternado com outros que tenho por aí.Mas aí li o primeiro...E só parei no fim.Faltam-me os adjectivos para esta pequena maravilha. São 24 contos pequeninos, mágicos, inesperados, e de uma simplicidade desarmante. Não podendo deixar todos, deixo dois dentre os que mais gostei.O SULCODesde que lhe morreu o marido a Bice viu-se reduzida a falar com uma galinha. Dá-lhe de comer numa travessa sêmeas em papa e fica sentada a fazer-lhe companhia no degrau da porta de casa.Depois a galinha vai para fora e de vez em quando pára na praça ou onde bem lhe apetece.Mais tarde a Bice vai perguntar aos rapazes se a viram passar. Todas as manhãs entram juntas na igreja onde estava pintada na parede a Nossa Senhora sentada que em mil novecentos e catorze chorara porque estava para rebentar a primeira guerra mundial. Então todas as mulheres de Rimini e Ravenna vieram rezar pelos filhos e pelos maridos que estavam em perigo.Depois acabou a guerra e nunca mais lhe ligaram. A água gotejava do tecto e catrapás, a neve deitou tudo abaixo.Assim a igreja caiu no abandono e a pintura pouco a pouco foi-se apagando da parede e transformando em pó. Só ficou o sulco no rego que fizeram as lágrimas da Nossa Senhora quando chorou.A Bice põe-se de joelhos diante daquela risca torta e a galinha fica acocorada ao pé dela.O Sino"A igreja fica ao pé de um cemitério onde está sepultada uma rapariga que se chamava Unichetta. Para se ver o sino, que é o mais velho da montanha, há um campanário que deve ter metro e meio de largura com duas escadas de mão que se enfiam primeiro num buraco: daqui sai a segunda que leva lá acima. Ninguém sabe quem a fez e em que ano.Um dia veio de Santarcangelo um homem de uns oitenta anos que é explorador de palavras escritas nos livros antigos ou nas pedras. Um amigo de Pennabilli devagarinho ajudou-o a subir os degraus da primeira e da segunda escada até chegarem lá acima mortos de cansados e todos cheios de pó.Assim que o professor viu aquele sino suspenso no meio da arcada que dá para o precipício, abraçou-o e manteve-o apertado durante dez minutos como se fosse um filho que tornasse da guerra. Depois largou-o e ele e o outro desceram as escadas com todas as precauções.Mal acabou de descer, sacudiu com grandes palmadas o pó do casaco e entretanto dizia que o sino o construíra Iacobus Aretinus em 1316. Como resolveu o problema só Deus sabe, porque, do lado que se via, o sino era liso e sem datas.Soube-se um ano depois. Contou que a escrita no bronze estava do outro lado e ele lera uma letra de cada vez com os dedos. Por isso o abraçara, e não por outra coisa qualquer."

  • Isabel
    2019-04-01 00:10

    O bicoHá uma igrejinha na montanha que está toda em ruínas, mas nunca cai embora esteja num vale para onde as avalanchas correm a grande velocidade.O pedreiro que a construiu conhecia todas as maldades da montanha e pôs a igreja de través, de modo que quando chegavam os aludes de neve batessem contra o bico virado para o lado dos montes. Assim a avalancha separava-se em duas e deslizava ao longe dos flancos da igreja para ir morrer ao longe.As paredes resistiram até agora, mas a vontade de vir cá acima ver a Nossa Senhora ficou sepultada debaixo da neve.(p. 44)

  • Mady
    2019-04-13 04:47

    A book of short stories.